quinta-feira, 12 de junho de 2014

#tatenocopa , mas

por Lu'z Ribeiro

Licença, posso entrar? Não, né, mas ...
Fiquei sabendo que ta rolando lixeira de 8 mil  na Oscar Freire, o senhor sabe como é, eu moro no lixão, será que rola um empréstimo? Pode ser de oito mil mesmo, ou menos pra eu comprar um barraquinho com vista pro córrego e direito a teto solar, naquele terreno que logo será reintegrado.
Eu que sempre morei na rua, morria de inveja do Paulinho que tinha escoriações corpo a fora causado pela água sem tratamento que ele se banhava e bebia justo eu que nem água tenho, já vontade de chorar me sobra, mas suspeito que meu peito seja volume morto
Talvez eu esteja pedindo demais, então libera pra mim e pra minha filha um pedaço das novas 15 pontes de embarque que foram construídas para os aeroportos? Podia ser ali no JK, dizem que tem tudo: esteira rolante, elevador e carrinhos para bagagens de 2,5 mil reais, ia ser ostentação morar bem ali debaixo, da ponte.
Por enquanto meu terreno é uma caixa de papelão de maquina de lavar, é grande cabe direitinho eu e minha filhinha a Duda, mas já ta meio gasta a chuva não perdoa, leva tudo e as vezes nem lava,  meu cachorro o Tobias tenta estragar o papelão rasgando, mas eu  faço marcação cerrada, ele rosna e eu rosno também, onde já se viu quem manda ali, sou eu.
Dias desses enquanto eu livrava uns trocados perto de uma escola, notei umas crianças completando uns álbuns de figurinha, estavam todas muito afoitas, algumas até com falta de paciência lambiam as figurinhas e colavam com saliva as figuras, pra que vimos isso? Agora Maria Eduarda só sabe é estragar nossas camas, todo papelão que ela vê, logo lambe e cola no poste, eu até penso em brigar, mas acabo sorrindo, acho bonito.
Quando o sol se mostra eu acampo na frente do bar do Zé, lá tem tevê e eu posso me inteirar dos assuntos do dia a dia, ver nosso bom futebol e às vezes me distrair com a conversa dos clientes, recentemente tinha uma mulata, puta mulher linda, marcando programa com um gringo que garantia pagar em dólar, comiam torresmo e bebiam uma coca gelada parecia cena de filme nacional, o local todo enfeitado de bandeirolas promocionais do tal refrigerante, onde se podia ler “co-pa de to-dos”, poxa, me emocionei, achei lindo demais, queria pelo menos uma vez fazer parte do todo, que tolo.
Já te disse que sou corinthiano? Desde criancinha, e da orgulho demais ver o Itaquerão, o nosso Itaquerão erguido, eu que nunca tive lar vejo meu time ganhar casa e a estréia da Seleção vai ser lá, na nossa casa, pena não ter ingresso, que eu pague, nem o  regresso a Bahia ta sendo possível.  Ah quando foram manifestar na frente do estádio fui lá defender, ahhhhhh agora querem hospital e escola, salário???... vixi Nossa Senhora Desaparecida, querem coisas demais.
Mas voltando a casa, e ai como eu fico ou não fico??? Tou vindo buscar minha herança de modo amistoso, como foi o Brasil e Servia, é que ouvi o Neymar cantando o hino e parei na frase “dos filhos deste solo, és mãe gentil, pátria amada...”, pois é tou nem querendo um Palácio em seus terrenos elevados, mas já que és tão gentil e ao que me parece sou seu filho, tou nem pedindo um lugar junto com seus convidados, sentados a mesa da sua copa, mas na situação  que me  deixou, da um banheirinho nos fundos e estamos resolvidos.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

pequenino


inefável, primeiro pensamento ao céu:
lilás, azul, rosa e com toques amarelados
aurora boreal? não, não era
foi simplesmente deus, querendo me fazer rir às 18 horas.

e no céu de aquarela, luzes e cores que eu jamais criaria
clima quente com vento gelado
fazendo da blusa meia-estação que eu usava a roupa perfeita.
ônibus cheios, porém meu lugar esteve sempre reservado.

nessa noite não ganhei colo da mamãe
ao invés disso cedi a ela o meu.
meu canto desafinado permitiu que eu ouvisse a melhor canção do dia:
o riso dos meninos.

do amor nada além de “oi”,
mas para quem não esperava nada, já bastou.
fotografei o que alcancei, pois mais tarde me pediram provas
mesmo sendo tudo verdade.

é bom que saibam que eu acordei sem sorriso,
mas vou dormir sendo este.
oração: que eu perceba sempre suas cocegas, amém.
sem obstinação em vê-lo, o sentir já me envolve.

hoje, eu senti deus bem pequeno, 
senti deus menino, inocente no desenhar.
que colore sem outra pretensão que não seja o agrado e o riso.

senti deus tão pequeno, que até agora ele permanece preenchendo meu coração.

ilustração: Branca Freitas



quinta-feira, 11 de julho de 2013

do lado esquerdo

(ilustração Branca Freitas)


nas noites em que sua presença é real
e o meu eu se torna nosso
o sonho continua sendo o que é
e a felicidade chega parecendo ser verdade.

nas manhãs em que seu olhar nasce antes do sol
eu adormeço meus sentidos com seu calor
perco a fala, pouco ouço e busco óculos
e acredito poder amar de verdade.

nos dias em que o medo e a solidão aparecem,
eu finjo ter coragem e me escondo atrás de uma postura ereta,
dizeres complexos, exaustivos e enigmáticos
e a correnteza parece não findar no interno.

no dia em que eu conseguir mostrar que ultrapassou o prazer,
que foi além do passatempo, muito mais que satisfação e gozar
e não mais necessite do recíproco, mas do fazer entender,
talvez eu consiga dizer sim ou não.

na ausência do que finjo ser, se o eu aparecer,
a dor chegará preenchendo espaços e não haverá outras dúvidas,
e talvez eu volte a prosseguir enfim, sem pensar no que deixei para trás,

mas visando o que está ao lado para seguir em frente.

terça-feira, 2 de julho de 2013

pode levar


a poesia leve
leve, leve, leve
leve, leve, leve ...

leve consigo estes beijos faciais
quando os quero, boca
as palavras amigas
que já foram sussurros.

aqueles abraços completos
que esmurram meu estomago.
leve, leve, leve
dentro e fundo (psiu).

de que me vale
a folha pálida
que me cativa a escrever?
para que eu quero
canetas transparentes?

nada resolvem,
inquietam-me.
não trazem cura aos males universais
nem aos meus, quiçá.

e assim, eu sigo
com frases perdidas
rascunhos de eu’s, soltos
tolos, tilos e ralos.

tenho todo-mundo bem aqui
tem o mundo-todo, bem.
quero o verbo que conjuga gente
a gente, a gente-todo.

ando e canso  de ouvir:
poetas. quero só poesia
pois tem me doído
ouvir sem ler nos olhos.

anseio versos não recitados
mudas-falas
de poemas na planta do pé.

calem os sentidos
para eu sentir o outro.
ouvir as mesmas notas
mil e mais vezes
e sem escrever, in-ventar.

que o vento leve, leve
mudas folhas e canetas verdes
pra outros, pra longe

enquanto não, escrevo.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

eterno contínuo por Juliana Vaz

não precisa de introdução porque é todo amor:

"E lá vamos nós!!!
Quando uma amiga brota um livro que lê e escreve a nossa alma a gente fica ansioso como no primeiro dia de aula... Como na primeira ida ao parque e como o primeiro tudo nessa vida...
É assim que me sinto ao saber que o Eterno Continuo vem ai, como uma extensão palpável de tudo que ouço e sinto.
É como um sobrinho que nasce vindo dessa irmã que Deus colocou no meu caminho exatamente no momento que eu ansiava por companhia...
Terei além da sua alma um pedaço seu aqui, ao alcance de minhas mãos pra me lembrar o quanto é bom viver quando se tem pessoas como vc, pra iluminar a nossa existência." Juliana Vaz



sábado, 1 de junho de 2013

faltam 5 dias

faltam 5 dias para eterno contínuo, confira mais uma poesia


8 de 80

pensando no que posso ser eu
deparo-me com o que fiz de você
coloquei-te em versos da minha poesia
tornei-me letrista
desenhos improvisados
e canção me fiz.

ofereci meu corpo a ti,
sem responder me disse não
o silêncio fez um abismo sem fim
e da dúvida um ornamento atual.

policio-me querendo escrever só o que de fato sinto
sem me permitir o exagero,
mas hoje é soro, é flor,
canção abstrata, poesia errada.

não esquecer:
amor de geladeira não se leva pra casa.
poesia de amigo não é poesia de amor.
se bate tão gelado não há querer que o aqueça.
manter a chama acessa sem desligar o ventilador.

das meias verdades que te disse
ficou a vontade de dizê-las completas.
das noites que nos vimos com hora marcada
marcou mais as imprevisíveis.
das métricas que regem a poesias
gosto mais das que não têm.
dos seus medos o mais certo
outro amor se acaba, em começo (in)feliz.

e depois de buscas errôneas,
corpos distantes
pijama novo usado
resta-me a simples constatação:
o seu mundo é grande demais,
não cabe nós dois.
  
 
Ilustração - Branca Freitas
 

 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Prefácio - por Jonatas Eliakim

eterno contínuo é toda poesia que fez meu  coração bater, doer, saltar e todo o mais, são  os versos mais sinceros, mais duros e mais doces.
selecionei textos para compor um corpo eterno e contínuo.

e como é amor desde o planejamento, antes de muito, busquei amor, assim compõe em graça, orelhas de NI BRISANT, prefácio de JONATAS ELIAKIM, posfácio de THIAGO PEIXOTO, contra capa e diagramação de DANIEL MINCHONI e ilustrações de BRANCA FREITAS.

são parceiros das cenas contemporâneas, são irmãos, são amigos, são heróis e são combustíveis para eu  ser um ser humano  melhor. 

hoje solto com alegria e amor, o texto que abrirá meu livro, deste cara que pra muitos é mais um Jow, mas pra mim, é a minha primeira escrita, é a nuvem mais bela, meu  riso  mais sincero, aquele que sem medo chamo de melhor amigo, é meu todo-mundo, se algo de fato o  define: zelo. 

abaixo  o prefácio de eterno contínuo:

Na Bíblia, a criação começa pela luz, que inaugura o universo separando o dia da noite. É ela que nos permite enxergar o mundo e, no entanto, é quase impossível visualizar sua verdadeira natureza. Como se não bastasse, tem propriedades tão estranhas e contraditórias que confunde até os físicos mais experientes.
Para alguns estudiosos, tudo indica que a luz não passava de uma onda. Como o som ou o movimento do mar, ela seria refletida ao encontrar algo como um espelho e sofreria interferência ao cruzar com outras ondas. Mas, diferente de uma onda, a Luz se propaga no vácuo e não precisa ser conduzida por um meio como a água ou o ar.
A tese de que a luz é uma onda começou a ser contestada quando os cientistas constataram que ela se comporta de modo muito variado, parecendo, por vezes, composta por muitas partículas. Ela funciona com uma lógica própria, diferente da esperada, é onda e, também, partícula; é emoção e razão; é preciosismo conservador e revoltosa quebra de todas as barreiras.
Este livro é uma pequena amostra das variações da Lu’z sobre os dias. Assim como o sol ilumina a todos, marcando a passagem do tempo de cada indivíduo ao percorrer seu caminho, estes textos mostram um caminho muito peculiar e particular, que é, sem sombra de dúvidas, o caminho de todos.
Ilumine-se!


Jonatas Eliakim