quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

pequenino


inefável, primeiro pensamento ao céu:
lilás, azul, rosa e com toques amarelados
aurora boreal? não, não era
foi simplesmente deus, querendo me fazer rir às 18 horas.

e no céu de aquarela, luzes e cores que eu jamais criaria
clima quente com vento gelado
fazendo da blusa meia-estação que eu usava a roupa perfeita.
ônibus cheios, porém meu lugar esteve sempre reservado.

nessa noite não ganhei colo da mamãe
ao invés disso cedi a ela o meu.
meu canto desafinado permitiu que eu ouvisse a melhor canção do dia:
o riso dos meninos.

do amor nada além de “oi”,
mas para quem não esperava nada, já bastou.
fotografei o que alcancei, pois mais tarde me pediram provas
mesmo sendo tudo verdade.

é bom que saibam que eu acordei sem sorriso,
mas vou dormir sendo este.
oração: que eu perceba sempre suas cocegas, amém.
sem obstinação em vê-lo, o sentir já me envolve.

hoje, eu senti deus bem pequeno, 
senti deus menino, inocente no desenhar.
que colore sem outra pretensão que não seja o agrado e o riso.

senti deus tão pequeno, que até agora ele permanece preenchendo meu coração.

ilustração: Branca Freitas



quinta-feira, 11 de julho de 2013

do lado esquerdo

(ilustração Branca Freitas)


nas noites em que sua presença é real
e o meu eu se torna nosso
o sonho continua sendo o que é
e a felicidade chega parecendo ser verdade.

nas manhãs em que seu olhar nasce antes do sol
eu adormeço meus sentidos com seu calor
perco a fala, pouco ouço e busco óculos
e acredito poder amar de verdade.

nos dias em que o medo e a solidão aparecem,
eu finjo ter coragem e me escondo atrás de uma postura ereta,
dizeres complexos, exaustivos e enigmáticos
e a correnteza parece não findar no interno.

no dia em que eu conseguir mostrar que ultrapassou o prazer,
que foi além do passatempo, muito mais que satisfação e gozar
e não mais necessite do recíproco, mas do fazer entender,
talvez eu consiga dizer sim ou não.

na ausência do que finjo ser, se o eu aparecer,
a dor chegará preenchendo espaços e não haverá outras dúvidas,
e talvez eu volte a prosseguir enfim, sem pensar no que deixei para trás,

mas visando o que está ao lado para seguir em frente.

terça-feira, 2 de julho de 2013

pode levar


a poesia leve
leve, leve, leve
leve, leve, leve ...

leve consigo estes beijos faciais
quando os quero, boca
as palavras amigas
que já foram sussurros.

aqueles abraços completos
que esmurram meu estomago.
leve, leve, leve
dentro e fundo (psiu).

de que me vale
a folha pálida
que me cativa a escrever?
para que eu quero
canetas transparentes?

nada resolvem,
inquietam-me.
não trazem cura aos males universais
nem aos meus, quiçá.

e assim, eu sigo
com frases perdidas
rascunhos de eu’s, soltos
tolos, tilos e ralos.

tenho todo-mundo bem aqui
tem o mundo-todo, bem.
quero o verbo que conjuga gente
a gente, a gente-todo.

ando e canso  de ouvir:
poetas. quero só poesia
pois tem me doído
ouvir sem ler nos olhos.

anseio versos não recitados
mudas-falas
de poemas na planta do pé.

calem os sentidos
para eu sentir o outro.
ouvir as mesmas notas
mil e mais vezes
e sem escrever, in-ventar.

que o vento leve, leve
mudas folhas e canetas verdes
pra outros, pra longe

enquanto não, escrevo.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

eterno contínuo por Juliana Vaz

não precisa de introdução porque é todo amor:

"E lá vamos nós!!!
Quando uma amiga brota um livro que lê e escreve a nossa alma a gente fica ansioso como no primeiro dia de aula... Como na primeira ida ao parque e como o primeiro tudo nessa vida...
É assim que me sinto ao saber que o Eterno Continuo vem ai, como uma extensão palpável de tudo que ouço e sinto.
É como um sobrinho que nasce vindo dessa irmã que Deus colocou no meu caminho exatamente no momento que eu ansiava por companhia...
Terei além da sua alma um pedaço seu aqui, ao alcance de minhas mãos pra me lembrar o quanto é bom viver quando se tem pessoas como vc, pra iluminar a nossa existência." Juliana Vaz



sábado, 1 de junho de 2013

faltam 5 dias

faltam 5 dias para eterno contínuo, confira mais uma poesia


8 de 80

pensando no que posso ser eu
deparo-me com o que fiz de você
coloquei-te em versos da minha poesia
tornei-me letrista
desenhos improvisados
e canção me fiz.

ofereci meu corpo a ti,
sem responder me disse não
o silêncio fez um abismo sem fim
e da dúvida um ornamento atual.

policio-me querendo escrever só o que de fato sinto
sem me permitir o exagero,
mas hoje é soro, é flor,
canção abstrata, poesia errada.

não esquecer:
amor de geladeira não se leva pra casa.
poesia de amigo não é poesia de amor.
se bate tão gelado não há querer que o aqueça.
manter a chama acessa sem desligar o ventilador.

das meias verdades que te disse
ficou a vontade de dizê-las completas.
das noites que nos vimos com hora marcada
marcou mais as imprevisíveis.
das métricas que regem a poesias
gosto mais das que não têm.
dos seus medos o mais certo
outro amor se acaba, em começo (in)feliz.

e depois de buscas errôneas,
corpos distantes
pijama novo usado
resta-me a simples constatação:
o seu mundo é grande demais,
não cabe nós dois.
  
 
Ilustração - Branca Freitas
 

 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Prefácio - por Jonatas Eliakim

eterno contínuo é toda poesia que fez meu  coração bater, doer, saltar e todo o mais, são  os versos mais sinceros, mais duros e mais doces.
selecionei textos para compor um corpo eterno e contínuo.

e como é amor desde o planejamento, antes de muito, busquei amor, assim compõe em graça, orelhas de NI BRISANT, prefácio de JONATAS ELIAKIM, posfácio de THIAGO PEIXOTO, contra capa e diagramação de DANIEL MINCHONI e ilustrações de BRANCA FREITAS.

são parceiros das cenas contemporâneas, são irmãos, são amigos, são heróis e são combustíveis para eu  ser um ser humano  melhor. 

hoje solto com alegria e amor, o texto que abrirá meu livro, deste cara que pra muitos é mais um Jow, mas pra mim, é a minha primeira escrita, é a nuvem mais bela, meu  riso  mais sincero, aquele que sem medo chamo de melhor amigo, é meu todo-mundo, se algo de fato o  define: zelo. 

abaixo  o prefácio de eterno contínuo:

Na Bíblia, a criação começa pela luz, que inaugura o universo separando o dia da noite. É ela que nos permite enxergar o mundo e, no entanto, é quase impossível visualizar sua verdadeira natureza. Como se não bastasse, tem propriedades tão estranhas e contraditórias que confunde até os físicos mais experientes.
Para alguns estudiosos, tudo indica que a luz não passava de uma onda. Como o som ou o movimento do mar, ela seria refletida ao encontrar algo como um espelho e sofreria interferência ao cruzar com outras ondas. Mas, diferente de uma onda, a Luz se propaga no vácuo e não precisa ser conduzida por um meio como a água ou o ar.
A tese de que a luz é uma onda começou a ser contestada quando os cientistas constataram que ela se comporta de modo muito variado, parecendo, por vezes, composta por muitas partículas. Ela funciona com uma lógica própria, diferente da esperada, é onda e, também, partícula; é emoção e razão; é preciosismo conservador e revoltosa quebra de todas as barreiras.
Este livro é uma pequena amostra das variações da Lu’z sobre os dias. Assim como o sol ilumina a todos, marcando a passagem do tempo de cada indivíduo ao percorrer seu caminho, estes textos mostram um caminho muito peculiar e particular, que é, sem sombra de dúvidas, o caminho de todos.
Ilumine-se!


Jonatas Eliakim


terça-feira, 28 de maio de 2013

Realese

venho compartilhar  as sensações cotidianas agora que está cada vez mais perto d o nascimento de "eterno contínuo" já não  durmo bem, frio, medo  e uma correria dos diabos... mas a sensação de ter  o  peito  rasgado é impagável.

hoje compartilho  com vocês dizeres de NI BRISANT sobre a estréia deste livrinho:

" Eterno Contínuo salta das gavetas do cotidiano para dar voz a uma fênix em chamas, Lu’z Ribeiro. Neste livro de estréia, Lu’z apresenta poemas lapidados sob o ritmo frenético de Sampa, mas com a sensibilidade e força de alguém que não se deixa anular.

Como água, suas poesias percorrem diversos temas, formas, perspectivas – tudo para testar os limites da linguagem, irrigar corações e fazer-se sentir. Sem a obrigação de dar ou fazer sentido, o intuito aqui é não ser silêncio, não por acaso.

Eterno contínuo é entrega, amor sem divórcios.

É Lu’z, do início ao todo." - Por Ni Brisant.