domingo, 17 de janeiro de 2016

dos dias de coléra - luz ribeiro

hoje eu resolvi abrir o peito
e enxergar o quanto que cabe aqui dentro
foram mais de 20 anos tentado me esconder
buscando uma resposta que me fizesse ver

entregando para tantos o que só cabe a mim
um coração sofrido que pra toda dor consente  um sim
e ao findar de cada experiência
sente mais os hematomas do que a própria consciência

preta blindada dos pés a cabeça
fria por necessidade, não por natureza
busco nutri meu  ori pra achar uma fortaleza
e ainda que fraca que  haja luz e aqueça

minha pele negra também busca um lugar ao sol
quero meu espaço mas vocês me cedem um anzol
dizendo que agora tenho uma vara pra pescar
mas não é  igual a sua,  né? É fácil notar

por  séculos convivemos com a escravidão
fomos soltos sem direito a um  pedaço de chão
o reflexo do mal feito é visto hoje nas quebradas
gente preta é a maior parte da classe favelada

os livros que eu li eram da filha da patroa
porque ela dizia que depois de um tempo isso enjoa
e até hoje por eles eu tenho obstinação
os livros na minha casa são  mais que objeto de decoração

por anos me afastei das línguas do  colonizador
achava que  estuda-las me tornaria talvez mais inferior
ignorância minha, achar que o venceria sem ler meu  manual de instrução
mas hoje eu  estudo  seus dialetos e renovo minha munição

cade vez que eu abro a boca eu  ouço o ruído dos chicotes
a impecabilidade da nossa língua foi adquirida nos açoites
pra me fortificar ouço palavras em yoruba
busco saber sobre orixás e patuás

ninguém esconde mais de mim minha própria história
e pode chamar mesmo  me de vitimismo meu plano de vitória
já tou ligando a diáspora daqui com a diáspora de lá
e logo  menos  vocês irão avistar    

uma legião vestida de preto que não abaixa a cabeça
não se contenta  com lei áurea, quer mais é ser realeza
vai devolver com diplomas cada soco e esporro
aqui ninguém mais marca toca e precisar asfixiamos com gorro

não alisarei meu  cabelo para ser aceita
hoje sei que nossa religião não é seita
todos esses mal tratos é uma dívida sem reparação
por isso eu quero cotas e tudo que houver cifrão

sou afilhada bastarda e não quero ser filha da pátria
sou a própria puta por tantas vezes sexualizada
minhas ancestrais tiveram as saias levantas
e daí que surge tanta gente miscigenada

por isso  não  vejo  beleza no processo de miscigenação
e nem quando os brancos exclamam: eu tenho  sangue de negão
essas frases não provam nada e só trazem mais dor
então faz um chá de bom senso e tome um gole por favor

não sou  filha de pardal, muito  menos de mula
não tenho didática  minha ira não cabe em bula
e se pode não ser menos preconceituoso, disfarce
pegue suas falsas verdade e engula

terça-feira, 17 de novembro de 2015

se eu me morresse ...

o que não mata dá um sooooooooooooooono
o que não mata dá uma dor aguda no estômago
o que não mata dá uns calafrios durante a noite toda
o que não mata dá uns tapas e te traz pra realidade
o que não mata dá sede
o que não mata lembra que você é seca
(e você nunca morreu por só secar)
o que não mata é o insuficiente pra atingir um corpo que já sentiu tanto


bicho ruim não morre
se fere
flagela
espanca
estanca
estanca
volta a espancar
quase estanca


mas porra
num morre


se eu me morresse
morria!
mas não morre
porre
socorre
corre
corre
corre
corre
corre
cansa


cansa...


bicho ruim
só fere
refere
se ferre


bicho ruim
só erra
nem sente que errou
num sente
imagina, bicho sente?


num sente


é calculista
prevê tudo
imagina cada dor que já causou

isso de ser bicho
que  não tem peito
que  faz do  pulmão o seu  amuleto
perde o  ar é mata tudo de asfixia

bicho ruim que de tudo lhe tocou
quando toca, é tocado
deixado de lado

é tipo cachorrinho
que dá carinho
pega ossinho
mas se fizer xixi dentro de casa
acabou!
xô, xô, xô ...

se eu  me morresse
eu  mesmo  me matava
mas sou  lacuna
sou  inapropriada
eu  não  me morro
eu  mordo
mas não  morro

porque você não pegou  seu  falo
enfiou até o  talo e disse:
é assim? cê gosta

mas não seu  silêncio é baixinho
e me rasga lentamente
aos pouquinhos

sem perdão
eu  quase morro

mas eu  não sei  morrer
vivo a beira de um desespero
mas não sei morrer

noite passada eu  tentei
eu juro que tentei

mas

o que não mata dá um sooooooooooooooono
o que não mata dá uma dor aguda no estômago
o que não mata dá uns calafrios durante a noite toda
o que não mata dá uns tapas e te traz pra realidade
o que não mata dá sede
o que não mata lembra que você é seca
(e você nunca morreu por só secar)

o que não mata é o insuficiente pra atingir um corpo que já sentiu tanto

.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

take care - luz ribeiro

dias desses vai chegar um e-mail
dizendo oi e tantas outras coisas 
mas tudo em português
porque você gosta é de dominar tudo 
--- linguagem e língua ---

eu que também sou de possuir 
me vi pressa em um silêncio que não cabia fugas

apenas
baixos sussurros grudados na parede 
de som leve, mas de pesar oco 

suspeito que decodificou meus mapas
com um tempo de quem tinha toda a vida

pra fazer aquilo
enquanto eu reconhecia cada corte seu 
num misto 
de querer fugir 
de querer ficar 
de te querer levar 
de me querer partir 
             nos meios

procuro em imaginações o roxo da pele
o gosto do dorso 
queria descobrir teu código 
mas ao contrário de mim
não é presa fácil ---
teu soco é dentro  
tilinta e lateja no pupilar dos olhos

a cada novo toque ficava eu presa a faixas de alta compreensão
--- pele de solidão 

você sorriu (mais) depois 
e como se soubesse 
perguntava sempre num deslize 
tudo bem? 

eu ainda não toquei na mala
eu ainda não mexi na prateleira
eu ainda
eu ainda não 

despedi sem fim 
...
...
...
take care 
.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

ser eu poesia


noite como outrora nunca vista
as estrelas pareciam querer cair
com desvelo segurei uma delas
entre o polegar e o  indicador
e de modo  brusco, movimentei-a
move-la de lugar, ser eu passagem.

sobre minha cabeça
um mobile feito, pelo cria-dor
e cria-ação que sou me encantei, sorri
de modo  ingênuo exclui o  verbo chorar
anulei o  sofrer sempre presente
restou  alegria, ser eu  feliz.

tirei o chinelo e andei vagarosamente
contemplando o  grandioso e minucioso
todo pouco universo
grão de areia entre meus dedos
me causando leve incomodo
breves cócegas, ser eu leve.

olhos fechados pra ouvir o cochichar do mundo
ficar imóvel para encontrar ondas
e só, só esperar, esperar...
mas carrego por segurança amarguras
sendo assim por zelo, o tal sal em mim, não  tocou
pensei com dor, por ser eu dura.

cheiro forte ainda não provado
disparou  a adentrar pelas narinas
completou o vago que restava
apoderou-se do eu, encheu
nessa noite eu  fui amada
ganhei sentidos, ser eu autor.

me quis pequena e frágil
me desenhei menina afável
apaguei a frigidez, fui ágil
desenhei sonhos palpáveis
não derramei lágrimas por lucidez
e ainda assim lavei  a alma, ser eu  água.

noturna tudo fui
rodeada de sensações
sem gosto, sem cheiro
era cem expectativa
juro, pouco sei  da vida
e o que observo, escrevo
por nascer defeituosa, ser eu poeta.


Foto: Vinicius Souza



quinta-feira, 12 de junho de 2014

#tatenocopa , mas

por Lu'z Ribeiro

Licença, posso entrar? Não, né, mas ...
Fiquei sabendo que ta rolando lixeira de 8 mil  na Oscar Freire, o senhor sabe como é, eu moro no lixão, será que rola um empréstimo? Pode ser de oito mil mesmo, ou menos pra eu comprar um barraquinho com vista pro córrego e direito a teto solar, naquele terreno que logo será reintegrado.
Eu que sempre morei na rua, morria de inveja do Paulinho que tinha escoriações corpo a fora causado pela água sem tratamento que ele se banhava e bebia justo eu que nem água tenho, já vontade de chorar me sobra, mas suspeito que meu peito seja volume morto
Talvez eu esteja pedindo demais, então libera pra mim e pra minha filha um pedaço das novas 15 pontes de embarque que foram construídas para os aeroportos? Podia ser ali no JK, dizem que tem tudo: esteira rolante, elevador e carrinhos para bagagens de 2,5 mil reais, ia ser ostentação morar bem ali debaixo, da ponte.
Por enquanto meu terreno é uma caixa de papelão de maquina de lavar, é grande cabe direitinho eu e minha filhinha a Duda, mas já ta meio gasta a chuva não perdoa, leva tudo e as vezes nem lava,  meu cachorro o Tobias tenta estragar o papelão rasgando, mas eu  faço marcação cerrada, ele rosna e eu rosno também, onde já se viu quem manda ali, sou eu.
Dias desses enquanto eu livrava uns trocados perto de uma escola, notei umas crianças completando uns álbuns de figurinha, estavam todas muito afoitas, algumas até com falta de paciência lambiam as figurinhas e colavam com saliva as figuras, pra que vimos isso? Agora Maria Eduarda só sabe é estragar nossas camas, todo papelão que ela vê, logo lambe e cola no poste, eu até penso em brigar, mas acabo sorrindo, acho bonito.
Quando o sol se mostra eu acampo na frente do bar do Zé, lá tem tevê e eu posso me inteirar dos assuntos do dia a dia, ver nosso bom futebol e às vezes me distrair com a conversa dos clientes, recentemente tinha uma mulata, puta mulher linda, marcando programa com um gringo que garantia pagar em dólar, comiam torresmo e bebiam uma coca gelada parecia cena de filme nacional, o local todo enfeitado de bandeirolas promocionais do tal refrigerante, onde se podia ler “co-pa de to-dos”, poxa, me emocionei, achei lindo demais, queria pelo menos uma vez fazer parte do todo, que tolo.
Já te disse que sou corinthiano? Desde criancinha, e da orgulho demais ver o Itaquerão, o nosso Itaquerão erguido, eu que nunca tive lar vejo meu time ganhar casa e a estréia da Seleção vai ser lá, na nossa casa, pena não ter ingresso, que eu pague, nem o  regresso a Bahia ta sendo possível.  Ah quando foram manifestar na frente do estádio fui lá defender, ahhhhhh agora querem hospital e escola, salário???... vixi Nossa Senhora Desaparecida, querem coisas demais.
Mas voltando a casa, e ai como eu fico ou não fico??? Tou vindo buscar minha herança de modo amistoso, como foi o Brasil e Servia, é que ouvi o Neymar cantando o hino e parei na frase “dos filhos deste solo, és mãe gentil, pátria amada...”, pois é tou nem querendo um Palácio em seus terrenos elevados, mas já que és tão gentil e ao que me parece sou seu filho, tou nem pedindo um lugar junto com seus convidados, sentados a mesa da sua copa, mas na situação  que me  deixou, da um banheirinho nos fundos e estamos resolvidos.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

pequenino


inefável, primeiro pensamento ao céu:
lilás, azul, rosa e com toques amarelados
aurora boreal? não, não era
foi simplesmente deus, querendo me fazer rir às 18 horas.

e no céu de aquarela, luzes e cores que eu jamais criaria
clima quente com vento gelado
fazendo da blusa meia-estação que eu usava a roupa perfeita.
ônibus cheios, porém meu lugar esteve sempre reservado.

nessa noite não ganhei colo da mamãe
ao invés disso cedi a ela o meu.
meu canto desafinado permitiu que eu ouvisse a melhor canção do dia:
o riso dos meninos.

do amor nada além de “oi”,
mas para quem não esperava nada, já bastou.
fotografei o que alcancei, pois mais tarde me pediram provas
mesmo sendo tudo verdade.

é bom que saibam que eu acordei sem sorriso,
mas vou dormir sendo este.
oração: que eu perceba sempre suas cocegas, amém.
sem obstinação em vê-lo, o sentir já me envolve.

hoje, eu senti deus bem pequeno, 
senti deus menino, inocente no desenhar.
que colore sem outra pretensão que não seja o agrado e o riso.

senti deus tão pequeno, que até agora ele permanece preenchendo meu coração.

ilustração: Branca Freitas



quinta-feira, 11 de julho de 2013

do lado esquerdo

(ilustração Branca Freitas)


nas noites em que sua presença é real
e o meu eu se torna nosso
o sonho continua sendo o que é
e a felicidade chega parecendo ser verdade.

nas manhãs em que seu olhar nasce antes do sol
eu adormeço meus sentidos com seu calor
perco a fala, pouco ouço e busco óculos
e acredito poder amar de verdade.

nos dias em que o medo e a solidão aparecem,
eu finjo ter coragem e me escondo atrás de uma postura ereta,
dizeres complexos, exaustivos e enigmáticos
e a correnteza parece não findar no interno.

no dia em que eu conseguir mostrar que ultrapassou o prazer,
que foi além do passatempo, muito mais que satisfação e gozar
e não mais necessite do recíproco, mas do fazer entender,
talvez eu consiga dizer sim ou não.

na ausência do que finjo ser, se o eu aparecer,
a dor chegará preenchendo espaços e não haverá outras dúvidas,
e talvez eu volte a prosseguir enfim, sem pensar no que deixei para trás,

mas visando o que está ao lado para seguir em frente.

terça-feira, 2 de julho de 2013

pode levar


a poesia leve
leve, leve, leve
leve, leve, leve ...

leve consigo estes beijos faciais
quando os quero, boca
as palavras amigas
que já foram sussurros.

aqueles abraços completos
que esmurram meu estomago.
leve, leve, leve
dentro e fundo (psiu).

de que me vale
a folha pálida
que me cativa a escrever?
para que eu quero
canetas transparentes?

nada resolvem,
inquietam-me.
não trazem cura aos males universais
nem aos meus, quiçá.

e assim, eu sigo
com frases perdidas
rascunhos de eu’s, soltos
tolos, tilos e ralos.

tenho todo-mundo bem aqui
tem o mundo-todo, bem.
quero o verbo que conjuga gente
a gente, a gente-todo.

ando e canso  de ouvir:
poetas. quero só poesia
pois tem me doído
ouvir sem ler nos olhos.

anseio versos não recitados
mudas-falas
de poemas na planta do pé.

calem os sentidos
para eu sentir o outro.
ouvir as mesmas notas
mil e mais vezes
e sem escrever, in-ventar.

que o vento leve, leve
mudas folhas e canetas verdes
pra outros, pra longe

enquanto não, escrevo.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

eterno contínuo por Juliana Vaz

não precisa de introdução porque é todo amor:

"E lá vamos nós!!!
Quando uma amiga brota um livro que lê e escreve a nossa alma a gente fica ansioso como no primeiro dia de aula... Como na primeira ida ao parque e como o primeiro tudo nessa vida...
É assim que me sinto ao saber que o Eterno Continuo vem ai, como uma extensão palpável de tudo que ouço e sinto.
É como um sobrinho que nasce vindo dessa irmã que Deus colocou no meu caminho exatamente no momento que eu ansiava por companhia...
Terei além da sua alma um pedaço seu aqui, ao alcance de minhas mãos pra me lembrar o quanto é bom viver quando se tem pessoas como vc, pra iluminar a nossa existência." Juliana Vaz



sábado, 1 de junho de 2013

faltam 5 dias

faltam 5 dias para eterno contínuo, confira mais uma poesia


8 de 80

pensando no que posso ser eu
deparo-me com o que fiz de você
coloquei-te em versos da minha poesia
tornei-me letrista
desenhos improvisados
e canção me fiz.

ofereci meu corpo a ti,
sem responder me disse não
o silêncio fez um abismo sem fim
e da dúvida um ornamento atual.

policio-me querendo escrever só o que de fato sinto
sem me permitir o exagero,
mas hoje é soro, é flor,
canção abstrata, poesia errada.

não esquecer:
amor de geladeira não se leva pra casa.
poesia de amigo não é poesia de amor.
se bate tão gelado não há querer que o aqueça.
manter a chama acessa sem desligar o ventilador.

das meias verdades que te disse
ficou a vontade de dizê-las completas.
das noites que nos vimos com hora marcada
marcou mais as imprevisíveis.
das métricas que regem a poesias
gosto mais das que não têm.
dos seus medos o mais certo
outro amor se acaba, em começo (in)feliz.

e depois de buscas errôneas,
corpos distantes
pijama novo usado
resta-me a simples constatação:
o seu mundo é grande demais,
não cabe nós dois.
  
 
Ilustração - Branca Freitas
 

 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Prefácio - por Jonatas Eliakim

eterno contínuo é toda poesia que fez meu  coração bater, doer, saltar e todo o mais, são  os versos mais sinceros, mais duros e mais doces.
selecionei textos para compor um corpo eterno e contínuo.

e como é amor desde o planejamento, antes de muito, busquei amor, assim compõe em graça, orelhas de NI BRISANT, prefácio de JONATAS ELIAKIM, posfácio de THIAGO PEIXOTO, contra capa e diagramação de DANIEL MINCHONI e ilustrações de BRANCA FREITAS.

são parceiros das cenas contemporâneas, são irmãos, são amigos, são heróis e são combustíveis para eu  ser um ser humano  melhor. 

hoje solto com alegria e amor, o texto que abrirá meu livro, deste cara que pra muitos é mais um Jow, mas pra mim, é a minha primeira escrita, é a nuvem mais bela, meu  riso  mais sincero, aquele que sem medo chamo de melhor amigo, é meu todo-mundo, se algo de fato o  define: zelo. 

abaixo  o prefácio de eterno contínuo:

Na Bíblia, a criação começa pela luz, que inaugura o universo separando o dia da noite. É ela que nos permite enxergar o mundo e, no entanto, é quase impossível visualizar sua verdadeira natureza. Como se não bastasse, tem propriedades tão estranhas e contraditórias que confunde até os físicos mais experientes.
Para alguns estudiosos, tudo indica que a luz não passava de uma onda. Como o som ou o movimento do mar, ela seria refletida ao encontrar algo como um espelho e sofreria interferência ao cruzar com outras ondas. Mas, diferente de uma onda, a Luz se propaga no vácuo e não precisa ser conduzida por um meio como a água ou o ar.
A tese de que a luz é uma onda começou a ser contestada quando os cientistas constataram que ela se comporta de modo muito variado, parecendo, por vezes, composta por muitas partículas. Ela funciona com uma lógica própria, diferente da esperada, é onda e, também, partícula; é emoção e razão; é preciosismo conservador e revoltosa quebra de todas as barreiras.
Este livro é uma pequena amostra das variações da Lu’z sobre os dias. Assim como o sol ilumina a todos, marcando a passagem do tempo de cada indivíduo ao percorrer seu caminho, estes textos mostram um caminho muito peculiar e particular, que é, sem sombra de dúvidas, o caminho de todos.
Ilumine-se!


Jonatas Eliakim


terça-feira, 28 de maio de 2013

Realese

venho compartilhar  as sensações cotidianas agora que está cada vez mais perto d o nascimento de "eterno contínuo" já não  durmo bem, frio, medo  e uma correria dos diabos... mas a sensação de ter  o  peito  rasgado é impagável.

hoje compartilho  com vocês dizeres de NI BRISANT sobre a estréia deste livrinho:

" Eterno Contínuo salta das gavetas do cotidiano para dar voz a uma fênix em chamas, Lu’z Ribeiro. Neste livro de estréia, Lu’z apresenta poemas lapidados sob o ritmo frenético de Sampa, mas com a sensibilidade e força de alguém que não se deixa anular.

Como água, suas poesias percorrem diversos temas, formas, perspectivas – tudo para testar os limites da linguagem, irrigar corações e fazer-se sentir. Sem a obrigação de dar ou fazer sentido, o intuito aqui é não ser silêncio, não por acaso.

Eterno contínuo é entrega, amor sem divórcios.

É Lu’z, do início ao todo." - Por Ni Brisant.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

eterno contínuo - por Rafael Marques

dia 06/06 brotará meu  primeiro livro, e é tanta alegria que sinto que acabo por contaminar  algumas pessoas, abaixo segue texto de Rafael Marques sobre o  nascimento de "eterno  contínuo" .


Numa eternidade de instantes tomados por trevas tudo é tão horrível e ao mesmo tempo tão invisível diante de olhos cobertos pela pez negra da indiferença e outros sentimentos mesquinhos, que o mais miserável flash de amor é capaz de salvar almas deste inferno.
Uma vez que a verdade toma sua forma, não há quem não a reconheça, mesmo no breu. Por mais que se queira passar indiferente pela tragédia que encenamos cotidiana(mente) uma vez que a Lu’z se apodere do escuro não há como permanecer igual.
A busca pela felicidade é uma constante e infindável aventura pelo seu “eu interior”, é preciso enfrentar todos os perigos e monstros que trazemos adormecidos cravados sob a pele. Neste épico ETERNO E CONTÍNUO a Lu’z é o mais valioso aliado dos habitantes da escuridão.
Buscando uma Lu’z para me livrar da condenação infernal me internei na leitura eterna e continuamente, só depois de internado me vi livre e perdi toda sanidade que assola as pessoas comuns. Passei a rascunhar textos ou seriam ensaios de minha vida? Ao certo só posso dizer que me despi da certeza e me encontro em você que lê isto e nas outras milhares de pessoas que perambulam por esta terra.
O que era maldição virou benção e tenho gratidão a cada poesia reveladora, não como uma vidente que prevê o futuro, mas com uma (e)vidente resposta, somos o presente.
Por não saber disto já estive longe de minha própria existência, por vezes revirando as gavetas de arquivos mortos-vivos do passado e por vezes sendo atropelado pelo presente enquanto vislumbrava, no escuro, o futuro que nunca tive.
Este livro é um presente, feito no presente e que contém altas doses embriagantes de sentimentos presentes em você mesmo, não se poupe e aproveite o presente, embriague-se.
Aqui se encontrará a morte, a vida e o renascimento em sentimentos que usaram letras para se tornarem compreensíveis, mas o seu esforço deverá ser maior do que uma simples passada de olhos sobre as palavras, tudo é sentimento então faça como a autora, rasgue seu peito e liberte seu coração de si, a escuridão não terá mais poder sobre você e haverá Lu’z, muita Lu’z.
Antes de mais nada um aviso:
Cuidado olhos que se abrem virginalmente a Lu’z sofrerão uma tentação para voltarem a se fechar, não ceda vá em direção a Lu’z.


sábado, 13 de abril de 2013

13 estrofes de aço



brinco de ser pequena 
me infiltro em seus espaços. 
quando já aquecida
me projeto, abraço.
suas mãos retribuem 
nos transformam em laços.

coração quebrantado 
juro, já foi aço.
era música sem melodia
agora sou letra e compasso. 
começou só com olhares
dispensou beijos e amassos.

pra preencher o vazio 
fumava maços e maços. 
seu carinho me faz maior 
o sofrer, escasso.
não vivo em solidão
tenho outro par de passos.

por você sou menos poeta 
em seus versos nasço.
lendo essa história inteira
lembrei que de silaba já fui pedaço.
se viver de poesia possível fosse
das suas tenho quase um calhamaço.

se pintura fossemos
obra tipo picasso.
jogada triunfal 
aos 45’ do segundo tempo, golaço.
arquitetura renomada
digna de chamarmos paço.

já me flagelaram outros tantos
mas é por você que renasço.
busquei intensamente ser feliz
beirei o famoso cansaço.
aprendi até negar amor
já a você, nem ameaço.

no tocar dos nossos lábios 
não sinto gosto agraço.
delicio-me com a poupa, o sumo
mas já provei o bagaço.
ampliei meu paladar 
a cada dia o refaço.

somos escrita inconfundível 
como a de torquato tasso.
que reconhecida é
seja no ipad ou no almaço.
não somos mais versos perdidos
nos encontramos houve enlaço.

em nós há paisagem 
compõe-nos areia e agarço.
não desprezamos sensações 
convivemos bem mesmo quando mormaço.
há quem suspeite da nossa grandeza
só porque nos veem baraço.

muito seriamos 
se fossemos colaços,
amizade fiel 
como de júlio cesár e crasso,
ou ligação fundamental
da mão com o braço.

porém somos pequenos
enlace de palhaços
que priorizam a lealdade
nos reconhecemos arapaços.
talvez, órgãos pouco citados, 
mas importantes como o baço.

aos nossos miocárdios
demos ritmo como marca-passos
somos o contemplar durante o dia
a noite o realizar devasso
o despir da timidez 
nos permitimos o desembaraço.

é querendo te agradecer 
que em rimas tortas me embaraço.
e buscado novos verbetes
levo da palavra puaços. 
cansei de compor sozinha
admito, anseio seu traço.





quarta-feira, 27 de março de 2013

TO: VAZ


enquanto muitos buscam flores
pelo aroma, beleza e encanto
cultivo plantas
das mais simples, rusticas (talvez).

no Vaz(to) mundo
busco Ju's, Li's e Ana's
sendo este conjunto
uma das melhores composições que criei.

queria tanto compor um belo poema,
mas nada sei de flor
pouco sei de gente
penso, que nem saiba nada (ainda).

diante de tanta incerteza
vejo que erma não sou
tenho memória de riso
guardo abraços saudosos.

precisei de cinco estrofes pra nada dizer
versos que não se completam
um coração já contrito e flagelado
pra guardar-te, peço só que não repare ao entrar.










* para minha amiga e irmã, Juliana Vaz. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Lançamento Para Brisa

No dia 12/03 ocorrerá o  lançamento do segundo livro do Ni Brisant na Livraria Suburbano Convicto, Para Brisa que já encanta pela capa feita por Mixel Nogueira, tem em seu  miolo ilustras de Pim Lopes e Célio Luigi.O livro  mostra atitude desde sua idealização, pois foi financiado por amigos que acreditam na poesia deste mano.Confira ai o texto que fiz ao parceiro Ni Brisant devido ao lançamento de Para Brisa:


Ni por Lu'z



Após serem lidas e devidamente digeridas suas frases giram em todo nosso corpo, nos livram da inércia e provoca-nos. Esse Ni que hoje salta em suas leituras, grita, silencia confunde-nos e atinge o  mais profundo que há em cada individuo, já se escondeu atrás de uma folha de sulfite que tremulava em suas mãos e voz quase inaudível, mas independente de como ele surja e se mostre a sinceridade e o amor chegam antes.
Por vezes, vejo-o bicho, como se o escrever lhe aparecesse como função  vital, escrita tão  única que suspeito que ele já tenha nascido com esse defeito e se que foi se aprimorando com outras leituras, que não  (só) a sua. Lê-lo é um misto de ser compreendido com uma tortura de sentir-se tolo, ser ele e o  todo sem ser ninguém é complexo, mas necessário e vital.
Do Nivaldo tenho recordações de uns 05 anos atrás onde todos eram Operadores de Telemarketing, mas ele era um sonhador. Gente que sonha pode ser reconhecida pelos olhos; ele evitava olhar, mas quando  o  fazia estava entregue e desarmado era evidente o  quanto o  mundo é pequeno para o seu  coração. Enquanto muitos ostentavam roupas da moda, ele desfilava com livros, chegava a usar três ou mais em uma única semana, juro que me intrigava quando ele os deixava com a capa voltada para baixo, parecia um jogo e eu sempre perdia.
Penso que hoje é ganho, saber sobre suas leituras e partilhar as minhas, trocar escritos, tê-lo perto é garantia de ser maior. 
Aos que o leem, torço para que o conheçam, pois ele possui lindas histórias, é aprendiz na vida, nos ensina verbos e mantras valorosos e ainda sabe plantar flores no coração e sugere caminhos para que você mesmo  a cultive.







segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2012, seu lindo


2012 foi um ano  digno  de ser contado, tinha até me comprometido a não  postar novas poesias aqui  no  blog e alimenta-lo mais de crônicas e contos, mas para presentear esse ano lindo (re)invento agradecimentos e disponibilizo  uma poesia que me despe, me deixa nua e crua e mostra como bateu  o miocárdio durante uma boa parte do  ano. 
Agradeço aos amigos leitores Carolina Peixoto, Thiago Peixoto, Ni Brisant, Juliana Vaz, Jéssica Barbosa e Jefferson Santana, que acompanharam a insegurança de ser eu escrita em 2012, alguns mais consultados que outros, mas consultados. 

Sejamos leais, o mais suspeito que a poesia dá conta, que venha 2013.





Inventado  Foras

quando a cama fica grande
me mudo, sou sofá.
só por querer, só
vou dando foras sequenciados
por consequência.

nãos são reflexos vacilantes 
dos pontos de ônibus que falaram comigo
quando  meu corpo não mais coube no seu
por me esconder em envelopes de lençóis
e nunca ter selado zelo, amor.

abri meus olhos para não  ver
seus términos expostos nas redes de não  deitar
cortes abertos por outrem durante as manhãs
estancados com meu líquido noturno
e adormecido com sua indiferença.

doeu a anunciação desprendida de fim
mutilaram meus membros frases de adeus
banhei-me por olhos os mares
devido ausência de falas ou gritos
faltou  dizer não com o  olhar.

peixe fora d'água
me afoguei a cada encher de lágrimas
por saber que seu amor não era meu
que suas inspirações não era eu
enquanto aqui fui  só sua.

brincadeiras doeram e até hoje sangram
abriu meu peito, coração  rolou bola
grudou seu cheiro nada pele a fora
aflorou a flor e sem regar um  algo  nasceu
ignorou quando  nomeei amor, outra vez doeu.

contou  estrelas ao meu lado com alguém que não luz
lançou-se no chão e desejou corpo que não este
estava do seu lado, mas só eu  me via
e sem mentir (juro),  houve muito mais que o aqui escrito
porém meus versos são sucintos (ou deveriam).

após de tudo eu te entregar o todo
de modo grosseiro me incentivou a escrever e “ perigar”
intrigada vaguei o dicionário de lado ao fim
buscando encontrar, mas confesso sou dada a interpretações
noite a dentro, dias afins.

se me entregar a outrem me periga ver o novo
assim serei riscos, traços, alegrias e metas
esquecerei o que tanto  latejou
beberei  em outros lábios contemporâneos versos
buscando intensamente o perigo, de ser feliz que você não  quis.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

ETERNO CONTÍNUO


Não consigo ser fiel a muita coisa, mas sou leal a tantas outras.

Com certo egoísmo, venho priorizando um tal  livro que irá nascer no próximo ano, de modo que não venho compartilhado poesias aqui, com certa preguiça não  venho escrevendo as sensações únicas que venho sentindo no meu  dia a dia, justo eu que não  queria ver meu blog esquecido o mantenho ermo de novidades.
Há culpa nas sensações também, que como chuva torrencial caem sobre mim de baixo pra cima, de maneira que se torna complexo diferenciar uma coisa da outra, mas é isso e tudo o mais.
Reapareço para anunciar as novas, então:

A vida tem sido boa, faço parte da antologia do  BURRO de 2012 com duas poesias e do Menor Livro Sagrado – Menor Slam do  Mundo com 3 micropoesias, coisas lindas de serem lidas e se "EU TU IA" lia agorinha mesmo, vai que o mundo acaba mesmo? Só eu e todos os participantes sabemos o quanto  foi prazeroso fazer parte disso, mas é melhor dizer só por mim, sendo assim:  feliz em ser eu. Obrigada grande Mestre Daniel e Primeira Dama Sinhá, " que se registre" o Burro  salvou minha poesia.

Esse tal de POETAS AMBULANTES que começou como quem não  quer nada, hoje é muito em mim, mudou a cadência dos versos, penso que vem me deixando  melhor. A ultima saída do  ano será  22/12/12 comemoração  pós fim do mundo, veja mais informações no blog: POETAS AMBULANTES.

E sobre o meu livro já está com as poesias selecionadas, pouco mais de quarenta. Havia pensado em inserir ilustrações de artistas diversos, mas quero que ele seja doce, encantado de maneira que abri mão de muitos e entreguei meu livro-diário na mão de uma pessoa só, ser esse que demonstrou tanta felicidade que transbordou tudo aqui.
É isso, ALEGRIA a cada passo dado é uma tempestade de boas sensações de valorização e reconhecimento.
É bom ver o sorriso nos lábios do pai e da mamãe, já que eu ainda não tenho uma bela história, uso a deles, esse livro é pra deixar a caminhada dos meus genitores mais bonita.

E é assim que agradeço a Deus por tanta coisa boa e a cada um dos envolvidos-pacientes, rumemos juntos! 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Noite dessas


Acidente, congestionamento, tempo encoberto, novas maneiras de assaltar, menino atropelado na linha do trem, idoso baleado, Um Mano Russo disparado... Essas foram às informações matinais que a mídia (tentou) me embargar.

Mas hoje eu ainda quero permanecer feliz. Seguidora de saraus, ontem fui a um que tem até sobrenome (Liberdade) reduto de gente alegre e livre. Lá eu pude mostrar admiração, respeito e amor aos “samigosirmãos”, gente que gosto de graça e me alegra a alma a cada reencontro.
Meu coração se alegrou com os passos que meus pés inventaram, em plena ousadia dancei forró ao som de reggae. O Groove fazia apologia ao acreditar no que somos.

A praga poesia alastrou-se em meu coração, através da voz firme e frases fortes me fiz criança e adulto em miniatura por inúmeras vezes. Ouvi risos escandalosos e sinceros que compunham o cenário e abraços era moldura para o brilho que as pessoas carregavam.
E durante a noite eu vi a lua pela janela sem estrelas no céu, mas os poetas carregavam constelações nos olhos.

- Coragem, Coragem, Coragem, assim o miocárdio mais pulsante encerrou a noite, só me restou admirar e desejar o sempre estar perto. 
Trouxe na bolsa um livro e nos braços força para segurar nas mãos dos meus amigos e não mais soltar.

Compadeço-me com os problemas alheios, mas não me sobra tempo para chorar. Me resta crer nas utopias minhas e nas dos meus manos, amar tudo e todos, acreditar que somos a melhor geração e que o mundo mudará. Temos mãos, pés e sonhos!

Somos alegres, somos o melhor... Somos o que não existia, pois ontem como diria uma das versões de todos nós “uma flor nasceu”. Somos o todo, desde que haja o Eu-Você.